{"id":713,"date":"2021-06-14T14:16:37","date_gmt":"2021-06-14T14:16:37","guid":{"rendered":"https:\/\/advsol.net\/?p=713"},"modified":"2021-06-14T14:16:39","modified_gmt":"2021-06-14T14:16:39","slug":"crise-de-chips-faz-fabricas-fecharem-e-precos-subirem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/advsol.net\/?p=713","title":{"rendered":"Crise de chips faz f\u00e1bricas fecharem e pre\u00e7os subirem."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O problema da falta global de semicondutores &#8211; que tem parado a ind\u00fastria automotiva em todo o mundo, incluindo no Brasil, e muitos achavam que poderia ser resolvido at\u00e9 o fim do ano &#8211; est\u00e1 longe de ter uma solu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Ainda n\u00e3o temos visibilidade de quando a produ\u00e7\u00e3o deve ser normalizada, e nos parece mais prov\u00e1vel que a situa\u00e7\u00e3o se estenda para outras \u00e1reas da economia antes que uma solu\u00e7\u00e3o seja alcan\u00e7ada&#8221;, diz um relat\u00f3rio da Kinea Investimentos, gestora de recursos independente que faz parte do grupo Ita\u00fa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recentemente, at\u00e9 a Intel, uma das maiores fabricantes do produto, admitiu que ser\u00e3o necess\u00e1rios &#8220;alguns anos&#8221; para a ind\u00fastria se reequilibrar. &#8220;Temos alguns anos at\u00e9 que possamos atender essa demanda crescente&#8221;, disse o presidente da empresa, Pat Gelsinger, para o canal de TV americano CBS. Especialistas falam em pelo menos dois anos de escassez.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com a alta demanda por processadores, que deve continuar subindo com o r\u00e1pido desenvolvimento tecnol\u00f3gico, e a demora para a constru\u00e7\u00e3o de novas f\u00e1bricas, pre\u00e7os de produtos como celulares podem aumentar 15%, segundo a consultoria KPMG (ler mais abaixo). Por outro lado, o problema tem impulsionado o setor no mercado financeiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As a\u00e7\u00f5es da maior produtora de chips do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), subiram 130% nos \u00faltimos 12 meses.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O gestor de a\u00e7\u00f5es globais da Kinea, Ruy Alves, conta que, desde o fim de 2020, tem ampliado os investimentos n\u00e3o s\u00f3 nas produtoras de semicondutores como nas companhias que fornecem equipamentos para elas, dado que novas f\u00e1bricas ser\u00e3o necess\u00e1rias nos pr\u00f3ximos anos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para Alves, o gargalo no segmento dos chips mais modernos, usados em celulares e cuja venda tem maior lucratividade, deve durar at\u00e9 2022. Na Samsung, por exemplo, a chegada de um novo modelo de celular ao mercado atrasou globalmente devido \u00e0 falta dos semicondutores, segundo noticiou a imprensa coreana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em nota, a companhia informou estar &#8220;fazendo todos os esfor\u00e7os para mitigar qualquer poss\u00edvel impacto&#8221; e &#8220;trabalhar ativamente com nossos parceiros para superar quaisquer desafios de fornecimento&#8221;. A empresa destacou, por\u00e9m, que seus \u00faltimos modelos j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>No caso dos chips menos sofisticados, que s\u00e3o utilizados na fabrica\u00e7\u00e3o de cafeteiras, por exemplo, a normaliza\u00e7\u00e3o deve levar ainda mais tempo. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o. Nessa \u00e1rea, a ind\u00fastria \u00e9 muito segmentada e o problema deve ser resolvido depois&#8221;, diz Alves.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Por que os chips sumiram?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Apesar de diferentes fatores terem contribu\u00eddo para a escassez de semicondutores, foi a pandemia que deixou claro que a cadeia de abastecimento global do produto \u00e9 fr\u00e1gil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chips min\u00fasculos que est\u00e3o em qualquer dispositivo eletr\u00f4nico hoje &#8211; de celulares a avi\u00f5es -, os semicondutores passaram a ser disputados globalmente quando a quarentena aumentou a demanda por computadores, celulares e videogames. Do lado da oferta, as interrup\u00e7\u00f5es do trabalho em f\u00e1bricas decorrentes da quarentena tamb\u00e9m geraram essa crise industrial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um dos pontos cr\u00edticos na cadeia dos semicondutores \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em Taiwan. Uma \u00fanica empresa &#8211; a TSMC &#8211; \u00e9 respons\u00e1vel por 84% da produ\u00e7\u00e3o dos menores e mais modernos chips do mundo. Com um faturamento de US$ 48 bilh\u00f5es (R$ 250 bilh\u00f5es) em 2020, ela det\u00e9m uma tecnologia que nenhuma de suas concorrentes &#8211; a coreana Samsung e a americana Intel &#8211; consegue copiar atualmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando a maior seca dos \u00faltimos 46 anos atingiu Taiwan no ano passado, a produ\u00e7\u00e3o nas plantas locais da companhia teve de ser reduzida. Isso porque as f\u00e1bricas de chips utilizam um grande volume de \u00e1gua.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m de a oferta ter diminu\u00eddo por causa da seca e das paralisa\u00e7\u00f5es provocadas pela pandemia, a demanda tamb\u00e9m aumentou com a China estocando processadores em larga escala. Pequim n\u00e3o s\u00f3 se precaveu \u00e0 poss\u00edvel escassez decorrente da quarentena como tamb\u00e9m optou por expandir os estoques para se prevenir em meio \u00e0 guerra comercial com os EUA.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00e1 neste ano, quando ao menos a covid-19 deu uma tr\u00e9gua na \u00c1sia, uma f\u00e1brica de semicondutores pegou fogo no Jap\u00e3o. A planta fornecia chips para a ind\u00fastria automobil\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Quando os chips v\u00e3o voltar?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o bastassem todos esses problemas, analistas afirmam que a disputa pol\u00edtica e econ\u00f4mica entre China e EUA amea\u00e7a o abastecimento futuro dos semicondutores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Taiwan diz ser independente da China desde a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa de 1949. A maioria dos pa\u00edses e organismos internacionais, por\u00e9m, n\u00e3o reconhece a independ\u00eancia do territ\u00f3rio, que tem um acordo de prote\u00e7\u00e3o militar com os EUA.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nos \u00faltimos meses, a tens\u00e3o entre Taipei e Pequim se intensificou, com ca\u00e7as chineses invadindo o espa\u00e7o a\u00e9reo do inimigo e a chegada de um porta-avi\u00f5es americano \u00e0 regi\u00e3o. A revista The Economist afirmou que Taiwan \u00e9 hoje o lugar mais perigoso da Terra e que uma guerra no pa\u00eds seria uma cat\u00e1strofe n\u00e3o s\u00f3 em termos humanos, mas tamb\u00e9m econ\u00f4micos &#8211; tudo por causa dos chips.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nos EUA, as gigantes de tecnologia, que sofrem com a falta de semicondutores, t\u00eam pressionado o governo para liberar financiamento para a constru\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de semicondutores. O programa de US$ 2,3 trilh\u00f5es de investimentos em infraestrutura do presidente Joe Biden prev\u00ea US$ 50 bilh\u00f5es para a ind\u00fastria de chips.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para o consultor Marcio Kanamaru, s\u00f3cio da KPMG, o Brasil deveria pensar em alguma pol\u00edtica semelhante. &#8220;Se o Pa\u00eds quer evoluir globalmente, precisa de uma pol\u00edtica industrial que traga essas f\u00e1bricas. Isso \u00e9 essencial para o futuro. Pode ser que nem todas as f\u00e1bricas sejam acomodadas nos EUA. A\u00ed o Brasil poderia ser uma op\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kanamaru afirma que o problema da escassez dos chips pode ser minimizado at\u00e9 o in\u00edcio do ano que vem, mas n\u00e3o resolvido. &#8220;Se tudo for acelerado e f\u00e1bricas come\u00e7arem a ser constru\u00eddas no pr\u00f3ximo semestre, ser\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos dois anos para a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a se normalizar. Talvez f\u00e1bricas menores possam ser constru\u00eddas rapidamente para atender a demandas emergenciais.&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Pre\u00e7os nas alturas<\/strong>?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A falta de semicondutores em todo o mundo pressiona as empresas brasileiras que montam as placas eletr\u00f4nicas usadas hoje por praticamente qualquer equipamento eletr\u00f4nico. Elas relatam aumento de pre\u00e7os que se aproximam de 280% e atraso de at\u00e9 seis meses na entrega das mat\u00e9rias-primas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na Standard Am\u00e9rica, que tem f\u00e1brica em Campinas e produz placas utilizadas pelas ind\u00fastrias automotiva, agr\u00edcola, aeron\u00e1utica e m\u00e9dica, as linhas de produ\u00e7\u00e3o tiveram de ser desligadas e religadas diversas vezes entre janeiro e mar\u00e7o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Teve semana que ficavam paradas um dia, em outra, quatro dias, sempre \u00e0 espera de componente&#8221;, diz o presidente da empresa, Hidalgo Dal Colletto. &#8220;Agora, tamb\u00e9m estamos tendo muito desafio de compra. O mercado est\u00e1 de ponta cabe\u00e7a.&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leia a mat\u00e9ria na integra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/ultimas-noticias\/estado\/2021\/05\/30\/em-falta-chips-sao-disputados-globalmente.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/ultimas-noticias\/estado\/2021\/05\/30\/em-falta-chips-sao-disputados-globalmente.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema da falta global de semicondutores &#8211; que tem parado a ind\u00fastria automotiva em todo o mundo, incluindo no Brasil, e muitos achavam que poderia ser resolvido at\u00e9 o fim do ano &#8211; est\u00e1 longe de ter uma solu\u00e7\u00e3o. &#8220;Ainda n\u00e3o temos visibilidade de quando a produ\u00e7\u00e3o deve ser normalizada, e nos parece mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":716,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/713"}],"collection":[{"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=713"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":717,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/713\/revisions\/717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/advsol.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}